Há quem leia esse título e pense que eu possa estar prestes a falar sobre uma dança em pares mais conhecida na Espanha e em Portugal ou de uma manifestação da cultura popular do litoral (Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul), mas não se assuste, estou prestes a falar sobre o Fandangos, é isso mesmo que você pensou, Fandangos: conhecido salgadinho à base de milho da Elma Chips. A história começa assim:
Numa típica tarde ensolarada, quando não temos nada para fazer além de ver TV, ficar na internet ou ler um livro, a gente olha pela janela, vê o sol lá fora e decidi que uma tarde assim não pode ser disperdiçada dentro de casa. Nessa hora o telefone começa a trabalhar de verdade, então encontramos um amigo disposto a sair para dar uma volta e levar papel e caneta, pois além de tudo, temos que impor nossa vontade de conversar e escrever. Proposta aceita, chega a hora de nos prepararmos para a tal volta, então percebemos que estávamos largados no sofá em estado deplorável, dentes por escovar, cabelo despenteado, pijama... "nossa, preciso dar um jeito nisso". E começa a maratona: corre em direção ao banheiro, passa pelo quarto com velocidade esbarra no pé da cama, íhhh é faltaaaaaaaa, cai, levanta e continua em direção ao banheiro, toma banho, escova os dentes, penteia o cabelo, pensa em secar, mas desiste, corre para o quarto, procura uma roupa, passa por uma, duas, três gavetas e é gol! Até que enfim, estou pronta! Olho para o relógio e... estou expulsa! Já estou atrasada, quando olho para fora, o sol já não é mais o mesmo. Quando chego na casa do meu amigo, vamos para um lugar bem legal, cheio de natureza e quando começamos a sentir a energia do sol, abrimos os olhos e percebemos que, passou, já está anoitecendo. Não tem problema, para amantes da natureza de verdade, pessoas que gostam de escrever e vivem atrasadas, aquele foi apenas um pequeno obstáculo no caminho. Encontramos uma árvore bem legal e grande, sentamos em uma de suas raízes com nossos papéis e canetas e decidimos que começaríamos a escrever. Tínhamos muitas coisas para conversar e logo percebemos que os papéis foram ficando de lado e as risadas passaram a dominar o lugar. Num ambiente cheio de risadas onde apenas duas pessoas que se conhecessem muito bem estão conversando, só posso dizer uma coisa: saiu muita merda, no bom sentido é claro, como é bom poder falar abertamente sobre tudo que temos vontade... contar nossas experiências mal sucedidas, nossos medos bobos da infância que várias vezes interferem na nossa vida adulta, nossos relacionamentos, nossas mancadas, nossos tombos em público, enfim, várias situações constrangedoras porém, muito engraçadas. Chegou um certo ponto que estava muito escuro e frio, então começamos a ouvir uns barulhos assustadores, nossos estômagos estavam dando sinal de vida e descontentamento, foi aí que decidimosmir embora para comer alguma coisa. Já no carro, a conversa foi outra: o que gostaríamos de comer agora? Levando-se em consideração que temos uma garrafa de vinho poderíamos comer queijo, ou uma macarronada com um molho especial, fondue de queijo, fandangos... fandangos? Com tanta conversa eu fiquei lembrando da minha infância e me deu vontade de comer fandangos, uma vontade avassaladora de comer fandangos, sendo assim, bora pra padaria! Lembramos de uma padaria que tem um pãozinho francês maravilhoso e não tivemos dúvida, é essa! Compramos pão, mussarela e é claro, um pacotão de Fandangos. Paramos numa praça e ao som de Milton Nascimento, sem ter uma faca, cortamos os pães com as mãos e devoramos aquele pãozinho quentinho com queijo enquanto tomávamos aquele vinho quente e mesmo assim tão saboroso, até que chegou a tão sonhada hora, abrimos o pacote de Fandangos, então aquele cheiro forte, trazia lembranças: "que cheiro de chulé!" O vento levava o cheiro embora e nós acabamos com o conteúdo do pacote em pouco tempo, assim como o conteúdo da garrafa. Enquanto comíamos não deixávamos de conversar e enquanto bebíamos a conversa começava a tomar outros rumos, de conversas engraçadas sobre a infância passamos a falar sobre experiências desastrosas do presente, passamos a analisar nossas vidas, aí o caldo entornou! Era conversa pra mais de mês! Fomos salvos pela vontade imensa de ir ao banheiro, quando então, decidimos voltar para nossas casas, mas é claro, conversamos bastante pelo caminho. Depois da conversa, do vinho, do pão com queijo e do fandangos, enquanto estava à caminho de casa, comecei a pensar em algumas coisas: quando sentimos que atingimos um certo nível de amadurecimento, é injusto não ser verdadeiramente sincero, seja comigo ou com os outros, não dá pra temer julgamentos, esperar que as coisas acontecem sem fazer nada, esconder sentimentos e desejos. É inútil achar que coisas mal resolvidas serão esquecidas com o tempo, eu não sou assim, então decidi que tinha algumas coisas para resolver, a primeira foi ligar para alguém e admitir um sentimento sem ter medo da reação dela, tremi na base e quae não consegui falar, mas falei e foi muito legal, a reação foi bem diferente do que eu imaginava. Agora tenho outros passos a seguir, mais algumas coisas pra resolver, aí então, estarei livre, pois agora sei, que não adianta deixar nada para trás. Lembrei de uma frase que li em um livro: "É importante tirar daquilo que estamos acostumados a olhar todos os dias os segredos que, por causa da rotina, não conseguimos ver". Então o melhor caminho era perceber o que estava me encomodando e eu insistia em esconder e mudar tudo. Nesta noite dormi um sono pesado e sem sonhos.
domingo, 30 de março de 2008
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Um comentário:
Hum...
Agora deu vontade de comer Kandangos... rsrsrs
Bjuras
Saudades
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