Acordei de um sono conturbado, não entendia o motivo, mas alguma coisa me preocupava.
Levantei com uma sensação estranha, logo imaginei que podia ser pelo fato de estar alí para refletir sobre algumas coisas que estavam acontecendo e me incomodando.
Era chegada a hora, precisava de um tempo para reflexão... sobre a vida como um todo, a maneira como estava sentindo a vida e cuidando dela.
Decidi que naquela manhã, colocaria os pés e as mãos nas águas geladas da cachoeira, respiraria o ar puro e assim, deixaria que meu corpo fosse purificado também, como se as águas tivessem a capacidade de levar com elas todas as minhas incertezas e a mãe natureza conseguisse plantar em mim as sementes de esperança que espalha dia-a-dia pelo mundo e poucos conseguem ver. Eu precisava daquele momento.
Mesmo depois de fazer o que tinha me proposto, as coisas não íam bem, estava com o coração apertado, mas alí mesmo eu entendi: não adianta tentar buscar forças distantes, eu sou a dona da história e terei que saber como conduzí-la, as atitudes precisam ser tomadas já, não dá pra esperar que alguma coisa aconteça.
Voltando da cachoeira, deixando a tranquilidade da natureza e voltando para o tumulto da civilização um pouco mais calma, meu celular começou a dar "sinal" de vida depois de ficar horas fora de área...
Uma, duas, três, quatro, cinco mensagens... mensagens de voz... o mesmo acontecia com o celular da minha prima, dos meus amigos... na hora, todos os corações ficaram apertados... comecei a ouvir as mensagens de voz... liga pra mim urgente! Era o conteúdo da maioria delas! Então o celular da minha prima começou a tocar e, depois da primeira ligação atendida, não parou mais!Tudo mudou, e na correria, estávamos voltando de viagem...
"O que que foi?" Gritava ela. "Me explica melhor o que está acontecendo!", "Vamos voltar agora!"
"Calma" foi a única coisa que ela conseguiu ouvir antes de num movimento brusco, dirigir-se ao motorista e gritar: "Rápido! Minha avó está morrendo!"
Uma mistura de sentimentos... confusão, medo, dor, angústia... Lágrimas que rolavam em meio aos telefonemas e aos questionamentos. E depois de um tempo, um silêncio, que só era interrompido pelo choro que às vezes vinha acompanhado de soluços...
Mais do que a velocidade que voltamos, era impressionante a velocidade com a qual as coisas passavam pela minha cabeça... sim, aquela seria uma viajem de reflexão sobre a vida.
Todas as coisas que aconteceram depois daquele telefonema foram regadas pela dor, nada que agora deva ser detalhado. Uma dor que permanecerá sendo camuflada dentro de nós durante um bom tempo.
Apagou-se uma estrela no céu, foi-se a filha, irmã, mãe, avó, tia, sobrinha, prima, sogra, cunhada, amiga. Ficamos nós, sem saber para onde a amada mulher se foi, cada um reagindo e cuidando da sua dor de uma maneira, cada um sentindo a presença dela à seu modo e guardando as lembranças que julgam necessárias.
Todos os dias milhares nascem e morrem, são tantas Marias e Josés, Pedros e Fernandas, e o milagre da vida sempre continua. Então comecei a pensar: O que é o medo da morte quando tantos têm medo de viver? Porque algumas pessoas desistem da vida enquanto outras lutam por ela com unhas e dentes? Mundo complexo esse em que vivemos!
Talvez devesse parar de fazer questionamentos sobre os outros e começar a olhar dentro de mim... Quais são meus medos? Quais são meus sonhos, objetivos, e o que estou fazendo para realizá-los? Como eu quero levar a vida? O que realmente importa pra mim? O que é a felicidade... pra mim? Quantas vezes ao dia eu me coloco no centro das atenções?
É difícil entender o motivo que nos leva a colocar os outros em primeiro lugar. Pra que tentar entender os outros se não conseguimos entender a nós mesmos? Pra que insistir em querer entender tudo? Que tal aprender a viver e sentir, pelo simples fato de poder respirar, gritar, cantar, pular, interagir. Olhar ao redor e agradecer, pelo simples fato de saber que não estamos sozinhos no mundo, e não falo apenas em seres humanos... posso olhar pela janela e ver os pássaros no meu jardim!
Por hoje, acho que já fiz minhas reflexões. Espero que amanhã o meu milagre da vida continue, e assim, eu possa abrir os olhos e enxergar a minha realidade de uma maneira diferente. Por hoje, é só!
"Senhor, obrigado pela oportunidade de conviver com essa sua filha amada, tenho certeza que o senhor saberá recebê-la com todo o amor que ela espalhou em vida aqui na Terra. Querida tia, obrigado pelos ensinamentos, pelas risadas, pelas latas de cerveja que tomamos escondidas, pelas trocas de bijouterias, pelas massagens, pelos apertões, pelas vezes que me "acobertou" (principalmente naquela vez que quase morreu de susto quando meu pai resolveu chegar de surpresa) e pelas milhares de lembranças boas que vou guardar. A vida continua e um dia, te encontrarei em algum lugar..." Amém!

Um comentário:
Saudades da minha jornalista preferida!!!
Amo-te!
Bjs
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